31.3.12

Probióticos e Prebióticos




Actualmente, vivemos num mundo cada vez mais industrializado, expostos aos mais diversos factores tóxicos, como a poluição, por exemplo. É importante combater estes factores externos negativos, mas não devemos esquecer que internamente existe um ambiente que também é necessário cuidar. Refiro-me ao tracto gastrointestinal (tubo alimentar que se inicia na boca e finda no ânus) onde existem inúmeros organismos microscópicos.

Estes microrganismos colaboram na transformação dos alimentos em resíduos, ao longo do processo digestivo. São muitas as afecções que causam distúrbios ao bom funcionamento gastrointestinal, como a prisão de ventre, a diarreia, infecções, colites, hemorróidas, entre outras, causadas, muitas vezes, por uma alimentação pobre (deficitária, principalmente, em fibras), pelo uso de antibióticos ou ainda pelo sedentarismo. São também cada vez mais comuns, os casos daqueles que sofrem de estados constantes de má digestão e má absorção.

No interior do nosso intestino residem cerca de 500 espécies de microrganismos vivos, onde coexistem bactérias nocivas e benéficas para o nosso organismo. Normalmente, é suposto existir um equilíbrio entre estes microrganismos, contudo devido, entre outros, aos aspectos acima referidos, as bactérias nocivas podem superar as benéficas, causando as mais diversas afecções. Desta forma, é importante promover o aumento dos microrganismos benéficos, também chamados de probióticos.

Os probióticos influenciam positivamente a nossa saúde, tal como sugere a sua própria definição: "para a vida". A importância destes microrganismos foi realçada por um cientista, que no início do século, afirmou que os iogurtes eram alimentos "milagrosos", devido ao seu elevado teor de bactérias, nomeadamente de Lactobacillus (responsáveis pela eliminação de toxinas nos intestinos). Desde então, os probióticos (bifidobactérias e Lactobacilos) têm sido alvo de vários estudos.

Os probióticos actuam beneficamente ao produzir enzimas que ajudam o nosso organismo a digerir os alimentos. São ainda responsáveis pela produção de vitaminas do grupo B no processo de metabolismo dos nutrientes. Por exemplo, ao limpar o tracto gastrointestinal, os probióticos ajudam a reduzir sintomas tão incomodativos como o mau hálito ou os gases. Em casos de diarreia, os probióticos ajudam a neutralizar os microrganismos patogénicos responsáveis pelas infecções. Inclusivamente, há indícios de que a ingestão de probióticos possa ser útil no combate à Helicobacter pylori, responsável por úlceras e gastrites.

São também benéficos em casos de infecções urinárias e, principalmente, em infecções vaginais, provocadas por Candida albicans. Os probióticos têm-se revelado também úteis no que respeita às alergias a alguns alimentos, como o leite de vaca, por exemplo. Os gases e a sensação de ventre inchado de que muitas pessoas se queixam após ter ingerido leite ou queijo (pessoas com intolerância à lactose) são sintomas causados pela deficiência da enzima lactase que ajuda a digerir os produtos lácteos.

Como os probióticos produzem quantidades significativas desta enzima, podem ser extremamente úteis àqueles que sofrem desta intolerância. Estas bactérias benéficas ajudam ainda a combater a prisão de ventre e, até a reduzir os riscos de cancro do cólon. Para além das qualidades referidas, os probióticos têm um papel significativo no fortalecimento do sistema imunitário.

O uso de probióticos é, nos dias de hoje, cada vez mais recomendado, mesmo a pessoas que não sofram de problemas digestivos. Estes microrganismos vivos podem ser ingeridos nos iogurtes, em cápsulas ou em pó. Estes suplementos devem ser tomados antes das refeições, com o estômago vazio, devendo ainda ser conservados a temperaturas baixas (de preferência, no frigorífico). Entre os mais importantes, saliento alguns probióticos: Lactobacillus acidophillus, Bifidobacterium bifidus, Lactobacillus casei,Termophilus.

Também relacionados com os probióticos é necessário referir a importância dos prebióticos: substâncias que compõem os alimentos e que os nosso organismo não consegue digerir e que estimulam o crescimento e a actividade das bactérias benéficas presentes no nosso organismo, como os probióticos. São exemplos de prebióticos a inulina e os fruto-oligossacáridos (FOS). Existem suplementos alimentares em que os probióticos e os prebióticos se encontram combinados.

Para manter um equilíbrio da microflora intestinal, para além da suplementação referida é fundamental ter em conta os bons hábitos alimentares e, também, evitar hábitos de vida sedentários.



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