31.3.12

Vegetarianismo



 


 

É considerado pelos seus seguidores uma opção válida e consciente, mas o elevado grau de ignorância da maioria das pessoas relativamente a esta matéria é a origem de um sem número de equívocos e informações incorrectas. Convém dar a conhecer os alicerces de suporte desta opção de vida, cada vez mais actual e necessária.

O termo vegetarianismo, vem do latim Vegetare que significa dar vida ou animar e consiste num regime alimentar no qual não se consome nenhum tipo de carne, quer seja vermelha ou branca, peixe ou marisco.

Divide-se em três grupos distintos:

- O lacto-ovo-vegetarianismo - regime alimentar que exclui a carne e o peixe, mas que permite a ingestão de ovos, de leite e dos seus derivados. É o mais comum, por isso é muitas vezes abreviado para vegetarianismo.

- O lacto-vegetarianismo - igual ao interior, mas que exclui o consumo de ovos.

- O vegetarianismo puro, ou veganismo – exclui carne, peixe, ou produtos que impliquem a exploração animal como os ovos, o leite, os seus derivados e o mel. Os vegans não utilizam vestuário de lã ou couro, cosméticos testados em animais e suplementos alimentares com derivados animais. A alimentação comum envolve muitos outros alimentos que não as carnes, portanto desengane-se quem julga que um vegetariano é apenas um comedor de saladas. A maioria dos vegetarianos são gourmets exigentes, que têm prazer em saborear uma refeição, tal como qualquer outra pessoa e que consomem todo o tipo de pratos, incluindo sobremesas e doces, desde que não contenham proteínas animais.

Existem vários argumentos a favor do vegetarianismo, como: o respeito pelos animais, a preservação do meio ambiente, a preocupação com a saúde humana, a fisiologia digestiva do Homem e a eficiência económica.



Ética
 
Os animais são seres vivos distintos dos outros por terem um sistema nervoso, mais ou menos desenvolvido, que lhes permite experimentar o sofrimento. São sensíveis e capazes de sentir dor, física ou psicológica. Sendo nós seres sensíveis e interessados em permanecer vivos, em liberdade e sem sofrer, temos de concluir que o mesmo se passa com os animais. Sejam insectos, moluscos, peixes, anfíbios, répteis, aves ou mamíferos. Assim, a obrigação ética mais elementar passa por respeitar o seu direito à vida, à existência em liberdade e bem-estar físico, com consequente perpetuação da sua vida. Esta perspectiva moral é a pedra angular do movimento vegetariano e segundo os seus seguidores deveria ser mais do que suficiente para a adopção deste regime alimentar.


Ecologia

Não é preciso ser um especialista para saber que o equilíbrio ecológico do planeta é condição primordial à sobrevivência de todos os seres vivos que nele habitam. Nós, humanos, somos responsáveis pela sua preservação, pois as nossas acções influenciam directamente este equilíbrio. Tal responsabilidade, adquire ainda maior relevância se considerarmos que das nossas opções depende não só a nossa sobrevivência, mas também a dos animais. Sabemos que a pecuária, não só a industrial mas também a biológica, é uma das actividades com maior impacto no ambiente. Implica consumo de grandes quantidades de água potável, ocupação de vastas áreas de terreno para o cultivo de cereais, gasto de combustíveis fósseis e utilização massiva de pesticidas e drogas.

Daqui, resulta a erosão do solo, a escassez e contaminação dos lençóis de água, a destruição das florestas tropicais e a desertificação de extensas áreas da superfície terrestre. Passemos a um exemplo prático, todos os anos cada vez mais campos de cultivo são instalados em solos inicialmente cobertos por floresta tropical. Ao contrário do que se pode pensar, o constante desflorestamento da Amazónia deve-se sobretudo à criação de campos de cultivo de soja para alimentar gado de países desenvolvidos ou para construir pasto para o gado brasileiro. As madeireiras, a abertura de estradas e a ocupação desordenada, têm apenas papéis secundários nesta destruição. De salientar, que a desflorestação implica não só a erosão dos solos (perda de nutrientes e de água) como a diminuição drástica da biodiversidade vegetal e animal. Tal desencadeia uma série de mecanismos que culminam no aumento da temperatura global, responsável pela ocorrência de desastres naturais.

A indústria pesqueira também contribui para o desequilíbrio ecológico. Os navios pesqueiros poluem rios e oceanos e contribuem para a destruição dos sistemas marinhos, pelos peixes que capturam. Esta actividade está a eliminar a uma velocidade alarmante os stocks marinhos. Por exemplo, há vários anos que os especialistas alertam para o facto das populações de bacalhau, não conseguirem recuperar da pesca intensiva, correndo sério risco de extinção. A pesca ocasional e a captura de tartarugas, golfinhos, focas, leões-marinhos, tubarões e pequenos cetáceos, animais com reconhecida importância no equilíbrio dos mares, põe em risco a sua função reguladora. A actividade pesqueira polui as águas onde estas espécies vivem e interfere nos seus ciclos de vida, sendo responsável pela redução drástica das suas fontes de alimento, reduzindo o seu número de efectivos e a estabilidade dos ecossistemas marinhos.


Saúde

Um dos muitos problemas inerentes ao consumo de carne é a sua toxicidade. Os animais podem acumular contaminantes químicos, numa concentração 14 vezes superior à verificada nos alimentos de origem vegetal. Basta lembrar que são alimentados com rações enriquecidas com hormonas e antibióticos. Ao serem abatidos sob anestesia e em situações de stress, libertam adrenalina em excesso, contaminando ainda mais a carne. Estes aditivos quando em contacto com o nosso organismo, podem originar doenças nos sistemas imunitário e reprodutor.

Povos adeptos de uma dieta rica em produtos animais são mais susceptíveis de desenvolverem doenças como o cancro da mama, da próstata ou do cólon. Verificando-se ainda colesterol elevado, hipertensão, ataques cardíacos, obesidade, osteoporose, artrite, diabetes, asma, pedra nos rins e impotência. As culturas asiáticas, nas quais a ingestão de carne é mais restrita, apresentam uma menor probabilidade da ocorrência destes problemas.


Economia

A opção pelo vegetarianismo pode ser uma solução para muitos dos problemas económicos que afectam o planeta Terra. Estudos brasileiros apontam que em cada segundo, uma área florestal do tamanho de um campo de futebol é utilizada na produção de apenas 257 hamburguers de vaca. Um boi precisa em média 3,5 hectares de terra para produzir 200 kg de carne, num período de quatro a cinco anos. Estima-se que na mesma área seja possível produzir, consoante o tipo de cultura, cerca de: 19 toneladas de arroz; 32 de soja, 34 de milho, 23 de trigo e 8 de feijão, se pensarmos numa colheita anual, sendo que nesta região são comuns duas a três colheitas por ano.

Da mesma forma, os animais consomem ao longo da vida o valor correspondente a quatro vezes a produção mundial de cereais destinada ao consumo humano, alimentando depois aqueles que os podem pagar, enquanto cerca de 815 milhões de pessoas, no mundo inteiro, passam fome. Assim, o facto da procura mundial de cereais exceder em muito os limites da sua produção é uma consequência directa do consumo de carne. Na produção de uma dieta carnívora utilizam-se 48 mil litros de água por dia, 2400 litros diários seriam o suficiente para a produção de uma alimentação
vegetariana.

A produção de carne é menos saudável e também muito menos eficiente, quando comparada com a de vegetais. Em média, para cada refeição de carne produzida são usados os recursos naturais que poderiam servir para produzir 10 refeições vegetarianas. Quando a fome no mundo e o aumento da rentabilidade dos recursos terrestres se tornam cada vez mais sérios, a alimentação vegetariana surge como uma dieta rentável que pode contribuir para uma franca melhoria da situação.

Fisiologia

Os humanos são omnívoros, podem alimentar-se de todo o tipo de alimentos, mas possuem características digestivas fisiológicas mais próximas dos herbívoros, que dos carnívoros. Exemplo disso é a presença de uma dentição com grande número de dentes incisivos e molares e um tracto digestivo longo, adaptado à digestão de legumes, frutas e cereais e em menor grau à digestão de proteínas animais. Estas têm tendência a acumular-se sob a forma de resíduos tóxicos no intestino, contribuindo para o aparecimento de doenças.

As espécies carnívoras exibem dentes caninos encurvados e um tubo digestivo curto, no sentido de favorecer a rápida digestão, o processamento e a eliminação da carne antes que ela entre em decomposição no organismo. Esta vantagem fisiológica confere ao Homem o poder de escolha, no que respeita à alimentação. Sabendo que todos os alimentos são potencialmente digeríveis pelo nosso sistema digestivo, resta a cada um de nós escolher o que come de acordo a sua consciência.


Quem opta pelo veetarianismo deve saber:

Proteínas

Não é necessária a ingestão de produtos de origem animal para a obtenção de proteínas completas, ricas em aminoácidos essenciais. A conjugação de duas proteínas vegetais, uma cereal e outra leguminosa, como o arroz e o feijão, são suficientes para fornecer os aminoácidos necessários. Alguns vegetais como a soja contêm teores proteicos superiores aos da carne. Outras fontes de proteína incluem produtos derivados da soja, substitutos da carne, lentilhas, frutos de casca rija, sementes, alimentos integrais e leguminosas.


Ferro

O ferro não existe apenas na carne, mas também em vários legumes (em especial nos de folha verde escura, como os espinafres), nos cereais e nas leguminosas. Para ajudar o organismo a absorver ferro, consuma alimentos ricos em vitamina C (morangos, citrinos, tomates, couve e brócolos) e outros ricos em ferro. Está comprovada que a incidência de anemia por deficiência de ferro é semelhante em vegetarianos e não vegetarianos.


Cálcio

Os lacto-ovo-vegetarianos têm uma ingestão de cálcio igual ou superior à dos não-vegetarianos, mas o mesmo não se passa com os vegan. A ingestão de álcool, café, açúcares, alimentos com elevado teor de proteína animal e lactícinios provocam acidificação do organismo. Na presença de demasiado ácido, o organismo utiliza o cálcio para neutralizar o pH, gastando grande parte do mineral ingerido através da alimentação. É certo, que um vegan parece ter menor necessidade de cálcio, porque a sua alimentação pobre em proteínas totais é também mais alcalina. Neste caso, o cálcio ingerido não tendo necessidade de ser utilizado como tampão, é totalmente absorvido pelos ossos, satisfazendo as necessidades do organismo. Os legumes de folha verde como os brócolos e as couves são ricos em cálcio. O tofu, os sumos de fruta e o leite de soja enriquecidos com cálcio são alternativas saudáveis.


Vitamina B12

Poucos alimentos vegetais contêm vitamina B12, na maioria destes casos estamos na presença de forma inactiva,incapaz de ser absorvida. Este é o único caso em que um vegan deve recorrer a um suplemento alimentar, os restantes vegetarianos podem encontrar a vitamina nos ovos e nos lacticínios. Os alimentos de uma dieta vegetariana são na sua maioria facilmente digeríveis, isentos de toxinas, antibióticos e hormonas. O vegetarianismo permite a ingestão de elevados teores de vitamina C, A, E, beta-caroteno, magnésio e fibras, limitando o colesterol e a gordura saturada e contribuindo para a redução doenças relacionadas com a alimentação. Aquele que opta pelo vegetarianismo, opta também por um princípio natural de não-violência, que visa o respeito por si mesmo, pelo ambiente e pela vida universal.


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